CR7, Cristiano Ronaldo abandona a Seleção: a responsabilidade de ser capitão vai muito além do talento
O momento de tensão entre Cristiano Ronaldo e o selecionador nacional, com reflexos indiretos na Federação Portuguesa de Futebol (FPF), está a gerar reflexão sobre o papel de CR7 na Seleção Nacional. Apesar de ser uma das maiores figuras da história do futebol português, a sua atitude levanta uma questão importante: o que significa verdadeiramente ser capitão de Portugal?
O nome de Cristiano Ronaldo voltou a estar no centro das atenções, desta vez por um momento de tensão envolvendo o selecionador nacional e que acaba por colocar também a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) no centro da discussão.
O episódio, marcado pelo abandono da Seleção por parte de CR7, merece uma análise que vá além das emoções do momento. Afinal, estamos a falar de um dos maiores jogadores da história do futebol mundial, mas também de alguém que carrega a responsabilidade de ser capitão da equipa que representa Portugal.
Cristiano Ronaldo é muito mais do que um jogador
É impossível ignorar tudo aquilo que Cristiano Ronaldo representa para a Seleção Nacional. A sua qualidade, experiência, capacidade competitiva e mentalidade vencedora são características que acrescentam valor ao grupo de trabalho.
CR7 é uma referência para os portugueses e um ídolo para muitos dos jogadores que hoje partilham o balneário com ele. A sua carreira, os recordes alcançados e os títulos conquistados ao serviço de Portugal fazem dele uma figura incontornável do desporto nacional.
Ninguém coloca em causa o seu contributo, nem aquilo que ainda pode oferecer à equipa das Quinas.
Mas é precisamente por ocupar uma posição tão importante que também lhe deve ser exigida uma responsabilidade acrescida.
Um capitão não pode esquecer aquilo que representa
Ser capitão da Seleção Nacional não significa apenas usar uma braçadeira ou liderar dentro das quatro linhas. Significa representar um país, milhões de portugueses e um grupo de trabalho que vê em si uma referência.
Independentemente do que tenha acontecido com o selecionador, de eventuais divergências ou de situações que possam ter provocado desagrado, abandonar a Seleção não é uma atitude que se espere de quem assume a responsabilidade de liderar um grupo.
Um capitão tem o direito de discordar, de manifestar a sua insatisfação e de não concordar com determinadas decisões. É humano e faz parte do futebol.
Contudo, existe uma diferença entre defender a sua posição e colocar em causa o compromisso que assumiu perante uma equipa e um país.
E essa diferença torna-se ainda mais importante quando estamos perante uma figura como Cristiano Ronaldo.
O exemplo que CR7 transmite aos restantes jogadores
Há uma dimensão desta situação que não pode ser ignorada: os jovens jogadores da Seleção Nacional olham para Cristiano Ronaldo como um ídolo.
Para muitos, CR7 é a personificação do sucesso, da dedicação e da ambição. É alguém que demonstrou que, através do trabalho e da persistência, é possível chegar ao topo do futebol mundial.
Por isso mesmo, as suas atitudes fora das quatro linhas também contam.
Um líder não é apenas aquele que decide jogos ou motiva os colegas antes de entrar em campo. É também aquele que sabe gerir momentos difíceis, ultrapassar divergências e colocar os interesses coletivos acima dos individuais.
Independentemente das razões que estiveram na origem deste momento de tensão com o selecionador, a responsabilidade de um capitão deve prevalecer.
A Seleção Nacional não pertence a um jogador, por maior que seja a sua história. Pertence a Portugal.
Portugal está acima de qualquer individualidade
Cristiano Ronaldo merece respeito por tudo aquilo que fez e continua a representar no futebol português. Mas esse respeito não significa que todas as suas atitudes devam ficar isentas de crítica.
Pelo contrário, quanto maior é a dimensão de uma figura pública, maior é também a responsabilidade associada aos seus comportamentos.
A Federação Portuguesa de Futebol, o selecionador, os jogadores e todos os elementos da estrutura da Seleção têm um papel importante na construção de um ambiente de união e respeito.
Os conflitos podem acontecer, as opiniões podem divergir e nem sempre será possível chegar a acordo. Mas há valores que devem permanecer inquestionáveis: compromisso, responsabilidade, respeito e espírito de equipa.
Cristiano Ronaldo é, sem dúvida, uma das maiores figuras da história de Portugal. Mas ser uma lenda do futebol não significa estar acima dos princípios que devem orientar qualquer grupo.
Porque um verdadeiro capitão não se mede apenas pelos golos que marca, pelos recordes que bate ou pelos títulos que conquista. Mede-se também pela forma como reage nos momentos difíceis e pela capacidade de continuar a representar o grupo, mesmo quando as circunstâncias não lhe são favoráveis.
Portugal precisa de Cristiano Ronaldo, mas também precisa de um capitão que perceba que, acima de qualquer jogador, está sempre a Seleção Nacional.
E essa é uma responsabilidade que não pode ser abandonada juntamente com a camisola das Quinas.
